quinta-feira, 13 de junho de 2013

the cheese is on the table

Mini divagação 
no cardápio:
entradas e petiscos
- queijo de coalho na brasa com mel de engenho - bom, muito bom...


- salada tropical com camarões, manga e queijo "muçarella" - no, thanks.
- camarões aos quatro queijos - idem acima
- picadinho de filé com fritas ao cheddar e bacon - definitivamente, este é um acompanhamento heavy metal!
- bolinho de camarão com catupiry...("moço, tem sem catupiry?")
- frango aos quatro queijos gratinado...
- frango de leite assado com queijo...muita lactose numa só frase.
- pão de alho assado com queijo...
- filé na brasa com queijo...
sobremesas
- cartola . UEBA!!! (cartola é um doce típico pernambucano, com banana, queijo manteiga, muito açúcar e canela)
( a quem interessar possa - é super light #sóquenão...)

- doce de goiaba com creme de leite...

Desconfio seriamente que este restaurante à beira mar seja patrocinado por um laticínio.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

vênus em recife



Havia acabado de ler que "O Nascimento da Venus", de Botticelli, fora originalmente encomendado pelos poderosos Medici para dar de presente a um parente próximo, para ser colocado sobre a cabeceira do leito nupcial, e cuja encomenda solicitava especificamente um quadro de tema sensual ou erótico - daí uma das pinturas mais conhecidas do mundo. Representa Vênus,que nasceu adulta e bela. A deusa do amor, da beleza e da sensualidade nasceu do sêmen de Urano (o Céu) caído na espuma do mar - portanto, é uma filha dos elementos água e ar. E este tema e esta pintura, guardada e exibida na Galleria degli Uffizi, em Firenze, proporcionaram um delicioso jantar ontem, em Recife. 
Convidado pelos meus amigos Sr. N.B. e Sr. A.M.(na verdade fui bem sutil - vamos jantar lá qualquer dia?), fomos em quatro pessoas ao Kovacic A Cozinha, restaurante privado com menu fechado e dirigido pelo dono (Sr. Kovacic - telefone 81 9612-7776), cujos jantares são inspirados em temas distintos. Já havia ido a este lugar uma vez, convidado pelos mesmos amigos, onde tive uma noite memorável. Desta volta, um jantar em tons mediterrâneos, com os sabores distribuídos entre 7 pratos. Começamos com o pé direito, em uma versão dos italianíssimos arancini - bolinhos feitos com risotto, redondos e dourados como pequenas laranjas - daí seu nome. Nesta versão, ele veio banhado de um caldo de carne e ervas de sabor pungente, ligeiramente cítrico - em perfeita combinação com os bolinhos de arroz.
Em seguida, um prato de aparência estranha, mas que simulava a forma como a Vênus foi concebida - uma tapenade morna de azeitonas pretas com linguado, sobre uma base / massa feita de gergelim. Deliciosa...
O terceiro prato foi o ponto alto da noite - uma moussaka, a tradicional "lasanha" grega, feita de cordeiro, berinjela e bechamel.. Aqui, as fatias de berinjela foram grelhadas com um pouco de gordura de pato, conferindo um sabor mais intenso a este prato. E o tomate veio confitado e tostado, cheio de especiarias, uma pequena e perfeita torre circundada por um bechamel delicioso.
A seguir, um peixinho prosaico, com uma calda adocicada de mel de laranjeiras, com uma batata coberta de alho defumado - pediria este alho para botar em tudo, de tão bom. Acompanhavam folhas cruas de couve rasgadas.
O quinto prato exibia um acompanhamento que foi devorado pelos comensais - um pequeno medalhão de filé, com um molho espesso salpicado com pistache e fatias de pão sírio fritas, sequinhas. Nenhum pingo de gordura, nada indicava que aquelas tiras - que pareciam macarrão cru - haviam provavelmente sido fritas em abundante óleo.
E, last but not least, uma ave - um "guisado" de galinha com sementes de girassol e uvas-passas, novamente contrapondo a ardência com sabores adocicados. 
Finalizou uma espécie de bolo/mousse de chocolate, aveia e pistache com uma calda similar a um mingau, com pistaches ralados (como ralaram tanto pistache, não sei...) 
Em um lugar simples, com talheres simples e elegante louça branca, uma bela jovem de pés descalços, túnica preta e turbante branco ajudava o serviço, completando nossos copos com água e com os vinhos que havia levado. Uma música insólita e desconhecida tocava ao fundo, e eu ainda conseguia me lembrar da explicação do chef no início, ligando os pratos com a Vênus e com um texto de Garcia Lorca.  Saímos felizes, fartos de comida, bebida e histórias. A chuva que caíra lá fora parou no momento em que saímos do restaurante, como que para coroar esta junção de histórias. Uma ótima noite, excelente noite. Tks aos amigos N.B. e A. M., para sempre queridos.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

if nothing else...

Por uma boa causa, afastei-me da blogsfera nos ultimos tempos. E a causa tem um nome - Gabinete D.

Depois de 21 anos prestando serviços a uma empresa, e ao sair voluntariamente desta ter a exata noção do tempo perdido (quem trabalha feito um maluco para que outro ganhe créditos e dinheiro deve ser maluco mesmo), decidi - junto com meu companheiro de empreitada e vida Eduardo - abrir o GabineteD, uma lojinha pequena na Al. Tietê, intimista nos jargões de press-release, mas na verdade fisicamente pequena. Ficou muito legal, simpática, as pessoas adoravam - mas quando tinha mais de um cliente, a loja tumultuava. Aliás, só com um cliente ela já tumultuava mesmo...Fora o fato de que não tinha onde parar carro, o que em São Paulo é a escada para o cadafalso do comércio. 

Aí conseguimos uma casa legal, que não deu certo, então arranjamos outra casa legal, que também não deu certo, mas os deuses conspiram a favor de todos aqueles que, como nós, continuam tentando. Eduardo conhecia um lugar de uma amiga, uma galeria de arte linda e pouco conhecida. Mostramos ao nosso sócio Sr. O, que vislumbrou naquele espaço possibilidades enormes de crescimento. E pouco tempo depois de assinado o contrato, abrimos o GabineteD Objetos e Imagem - um espaço composto de duas partes distintas - uma, a Galeria de Arte, espaço limpo, claro e solene, inaugurado com a exposição de um jovem fotografo chamado Alberto Oliveira. 
Ao subir a escada vermelha, o oposto - uma feérie de cores móveis objetos e peças das mais variadas origens e épocas traduz o espírito do GabineteD - um lugar iconoclasta, aberto às mais variadas manifestações do design e da cultura deste, do popular ao erudito. 
Onde o clássico e o moderno se encontram, onde o design assinado divide espaço com a produção popular, um apanhado de coisas distintas sob a égide do conceito original - a falta de preconceitos e a eliminação total de dogmas, baseado unicamente no binômio qualidade e originalidade.



Conhecemos nossos novos sócios - e agora queridos amigos - Sr. A e Sr. O (já citados aqui no blog) pelas redes sociais. Eduardo descobriu o artista que inaugurou nossa Galeria pela rede. Então nada mais natural do que manifestar minha satisfação e orgulho pelo mesmo veículo.
Sim, estou orgulhoso do trabalho que fizemos. Faremos de tudo para transformar este espaço num ponto de encontro e referências nos assuntos arte, design, cultura  e afins. Estamos pensando nos mínimos pormenores - afinal, "God is in the details", como disse o mestre.


Estão todos convidados. A casa está sempre aberta, como deveriam ser todas. 
Gabinete D Objetos e Imagem
Rua Estados Unidos 273
Jd. Paulistano   São Paulo, SP
t.: 11 4328-0070
www.gabineted.com.br

segunda-feira, 22 de abril de 2013

fifty shades of green


 E eu cooptei. Cedi aos encantos do maldito trocadilho para o titulo deste post, com o intuito de chamar mais facilmente a atenção do leitor. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Mas é que esse título não me saía da cabeça desde que comecei a insólita dieta da sopa verde, recomendada por minha comadre M. Ela havia me dito que tinha emagrecido 4 quilos (não sei de onde, pois já é magra a peste!) em poucas semanas, fazendo uso de uma sopa feita de verdes todos os jantares, exceto domingos. Como gosto de sopa, e em casa exceto Leopoldo, meu fiel escudeiro, todos precisavam perder peso, encarei a rotina de criar sopas verdes sem um sabor monocórdico.
Comecei com uma prosaica sopa feita de músculo, abobrinha, chuchu, aipo, cebolinha e couve. Apesar dos temperos, achei que faltava algo. No dia seguinte, uma sopa de espinafre adaptada do Low Fat Cooking, que ficou ainda mais light com a substituição da batata por chuchu e a ausência do leite pedido na receita. Refoguei parte do espinafre com alho, cebola e azeite. Adicionei caldo de frango, chuchu, aipo e, após tudo cozido, bati no liquidificador. Coei, adicionei peito de frango desfiado (com que tinha feito o caldo), folhas cruas de espinafre e servi - ficou ótimo. No terceiro dia, uma sopa de acelga, couve, chuchu (novamente...),cebolinha em caldo de legumes. Senti um certo vazio no decorrer da noite - e não era existencial, era substancial...
No quarto dia, trapaceei. Uma sopa de ervilha - afinal, é verde! - com costelinha defumada. A taça do ótimo tinto Meia Pipa ajudou na trapaça. No quinto, outra sopa de coisas verdes...No sexto dia, tinha a impressão de estar virando um Hulk subnutrido. Pensei em trapacear com caldo verde, mas tinha tido uma orientação especifica do tipo "não vale caldo verde, ok?"...Nova sopa com abobrinha, coisas verdinhas, e não adiantava mudar o prato, o bowl, o que fosse - parecia um cardápio orientado pelo Grinch .

A essa altura da dieta, tinha a nítida impressão de que se o Brad e a Angelina me chamassem para trás de uma moita, eu comeria a moita. No décimo dia, novo logro - uma massa verde recheada de alcachofra. O prato era verde, o recheio verde claro, mas quanta diferença...
Ao largo de 10 dias, após encarar o visor da balança - para ver o resultado deste eco-desafio, liguei para a mesma comadre. Ela me perguntou
- " E aí, Wair, depois de 10 dias, perdeu quanto?"
respondi de pronto
- " Perdi 10 jantares..."

quarta-feira, 20 de março de 2013

duplas dinâmicas

café com leite
pão com manteiga
goiabada com queijo
arroz e feijão
caviar com vodka
aliás, qualquer coisa com vodka
prince e stylistics
salmão com endro
fish & chips
cerveja com praia
ovo com trufas
prosciutto com figos frescos
figos com queijo de cabra
dame shirley bassey & propellerheads
tequila e limão
chardonnay e ostras
frango com farofa
burger & diet coke
burger & beer
pastel e caldo de cana
jorge drexler e susana félix
brigadeiro com guaraná
chocolate quente e inverno
coalhada com zattar
azeite com zattar
tequila e limão
water and flame (daniel merriweather & adele)
rhum and coke
gin & tonic
morango com chantilly
canja de galinha e cautela
acarajé com pimenta
cocada não precisa de mais nada
assim como elis regina





sábado, 16 de março de 2013

aquiles

Então sábado passado teve uma megasuperhiperultra festa na casa de meus amigos A. e O, queridos. A casa estava linda como sempre, mas enfeitada de flores vermelhas por todos os cantos. Manobristas à porta, champagne na chegada, canapés deliciosos - enquanto um DJ desfiava um setlist que incluia Earth Wind & Fire, Marvin Gaye e Prince, delicioso. Um chef que ainda não conhecia - Alexander Garcia - era o responsável pelo cardápio, e esmerou-se com afinco. Sobre a mesa, uma salada de base crocante com queijo de cabra e mini-legumes grelhados convivia com uma mousse de roquefort e figos turcos, mais uma quiche de cogumelos deliciosa, uma torta cuja massa tinha manjericão recheada por mozzarella de búfala e tomatinhos era uma versão assada da salada caprese, blinis com ovas de salmão perfeitos, e um "domo" de salmão com mini-beterrabas assadas absolutamente incrível. Perto da piscina, dois jovens magros e cabeludíssimos (odeio gente magra e cabeluda ...#ainvejamata...) estavam encarregados dos drinks e caipirinhas de lichia, morango, limão, kiwi e abacaxi - praticamente uma orgia gastro-etílica da maior categoria.
As sobremesas eram acintosas - e aquela "Sunset Party" foi adentrando a noite, o nível etílico subindo, a minha cintura aumentando face às opções gastro/etílicas, novos amigos sendo feitos, uma noite como deveriam ser todas as noites : bebidas, amigos, música, alegria. 
Então eu resolvi agradecer de uma forma muito simples - oferecendo um jantarzinho em casa. Mesa posta,
champagne gelada, um ótimo tinto - Cartuxa, que adoro - um late harvest esperava a sobremesa...e eu invento de última hora um prato com um fator complicante. Claro, eu tinha que complicar... Já havia feito o risotto um dia antes, para transforma-lo em riso al salto. O ragu para acompanhar o risotto estava pronto. A sopa de cenoura com gengibre e especiarias também tinha sido feita na noite anterior, para tomar mais gosto e ardência.

A mousse de manga e iogurte, levíssima, repousava em taças de dry-martini esperando apenas o tartare de manga e pimenta dedo-de-moça para coroar a sobremesa.

E eu vi uns aspargos lindos, verdes, e falei - Eureca! Aspargos com uma espécie de farofinha de pancetta, pão, parmesão e raspas de limão coroado por um ovo pochê...Aliás, cinco ovos pochês, pois eram cinco pessoas.
Mas eu e o ovo pochê somos inimigos mortais...Dias antes tinha me encontrado com meu amigo Bergamo, (que me deu este livro ótimo)
e havia comentado minha inaptidão para com este prato. Ele me deu as dicas, e ainda disse que podia cozinhar os ovos dentro de um saquinho untado, como visto pelo Prato Fundo. mas eu sou teimoso estóico, e quis fazer da maneira tradicional...
O primeiro ovo transformou-se numa espécie de fantasma dentro de minha panela, com um milhão de ramificações flutuando aleatoriamente. Lembrei-me da dica da temperatura da água dada pelo Bergamo, abaixei a temperatura, coloquei o vinagre, e agora meu segundo ovo pochê parecia um mini polvo albino, boiando na panela com seus 8 tentáculos...Nova tentativa. Quebrar o ovo numa tigelinha. Derramar ele lentamente na água, queimando a ponta dos dedos. Reunir a clara lentamente tentando dar forma decente ao ovo. Achar que o resultado está quase pronto, e ao tentar retirar descobrir que conseguiu a proeza de colar o ovo no fundo de uma panela que contém apenas água e vinagre...
Aí tive a idéia fantástica. Pegar um coadorzinho de chá de forma esférica, crendo que- como a clara era mais densa do que o líquido, com a água quente ela ia ficar mais densa ainda e tornar-se uma esfera perfeita e branca, contendo uma gema liquefeita. Na teoria, podia funcionar - em alguma realidade paralela, claro. Na prática, perdi um coador de chá, visto que um milhão de cabelinhos brancos acabou saindo pelos furinhos, e eu nunca mais terei condições de fazer chá neste recipiente novamente...
A esta altura, tocou a campainha. Eu já havia desperdiçado quatro ovos, e apenas 5 restavam na geladeira. Não tinha mais margem para o erro - ou erros, no plural mesmo. Mudei a receita - vide prato abaixo - para uns ovos quentes, com a gema densa, com umas lascas de flor de sal. Meu segundo prato não ficou aquela maravilha, apesar da farofinha ser deliciosa e dos aspargos perfeitamente no ponto. Mas meus amigos são muito elegantes, e não reclamaram. Mesmo porque eu ainda tinha dois pratos para me redimir do fiasco...Para vocês terem uma id~eia, até a foto saiu fora do foco!
Na próxima, farei souflée. Ovos nevados. Fios de ovos. Paté en croute. Mil folhas. Qualquer coisa mais simples que ovo pochê...

segunda-feira, 4 de março de 2013

uma longa caminhada


Ainda em Recife, domingo. Decidi fazer uma caminhada - uma loooooonga caminhada. Saí de Boa Viagem e fui caminhando, caminhando, caminhando...passei pelo bairro de nome divertidíssimo - Brasilia Teimosa - com sua arquitetura peculiar, carros com os porta-malas abertos recheados de alto-falantes (verdadeiros trios elétricos em miniatura) disseminando toda sorte de música ruim em som idem, montanhas de carrinhos fazendo de batatas-fritas a bolinhos fritos e peixes fritos e mais uma montanha de coisas fritas, tudo isto em uma área que tinha o perfil perfeito para ser um polo turístico de beleza inconteste. A calçada quase inexistia, paisagismo zero, sequer uma plantinha mirrada. E eu andando, andando...

Num dado momento, este braço de terra - não sei se configura um istmo, mas parecia - tem pouco mais de 5 metros de largura. De um lado, um paredão de concreto e pedra e o mar aberto, imenso, oceano. Do outro o Rio e a vista do centro da cidade e do Cais Estelita. 
E eu andando, andando...
Cheguei no parque de esculturas Brennand. Ligeiramente abandonado, apesar de ter sido construído não faz muito tempo. Uma placa mostrava data de fundação, arquiteto responsável, paisagista responsável - e novamente procurei um jardinzinho, uma plantinha, uma muda sequer - nada...(Estranho a falta de paisagismo numa cidade de calor inclemente como Recife). Então peguei um barquinho e atravessei até o Marco Zero, para fazer um lanche no Boteco, de minha amiga MD. Mas estava lotado, com fila de espera - e eu já com fome, sede, e as pernas pedindo um pequeno descanso depois de pouco mais de 11km andados.
Peguei o barquinho de volta, atravessei aquela água prateada pelo conjunto de sol e dia nublado, em dia branco cegante, 


e decidi dar uma parada na Casa de Banhos, que conheci recentemente. Um boteco à beira do Rio, coberto de telhas de cimento amianto , com dois ótimos cantores desfiando um repertório de MPB da melhor estirpe. Pedi uma mesa no lugar lotado, para um - e o garçom me olhou com cara de "tá me gozando, não?". Como não esmoreço, esperei alguns minutos até conseguir uma mesa no meio da muvuca. no centro do restaurante, entre duas mesas imensas e barulhentas. Pedi uma cerveja gelada, e um caldinho de peixe. Correção - "o" caldinho de peixe. Delicioso, cheio de aromas sutis, sem um mísero pedacinho de osso ou espinho, fantástico. Pedi outro, e a esta altura os 600ml da cerveja já tinham misteriosamente evaporado.

Tempo para uma caipirinha de rum e o segundo copo de caldinho estava igualmente perfeito, quente sob o teto quente numa tarde quente. A caipirinha desceu perfeita, o doce do rum e o azedo do limão, e eu cada vez mais imerso na música que tocava, nos sabores que provava esquecendo o mundo à minha volta.
Peço duas agulhas fritas - recuso a porção inteira pois tinha uma longa caminhada de volta. 
antes
depois

E uma nova cerveja. O restaurante estava misteriosamente silencioso - embora eu olhasse as pessoas falando, agitadas, eu só ouvia a voz suave do cantor, o violão e o pandeiro, e o barulhinho da água batendo sob o restaurante. 
Nesta hora o cantor dá uma parada, eu levanto um brinde solitário a ele - parece que ninguém o ouve, somente eu - que retribui o brinde e ataca com uma música que eu não ouvia há muito. E que tem a frase "mais solitário que um paulistano" encaixada em seus versos de forma perfeita. Como se encaixou igualmente ao momento, pois eu estava sozinho no mundo naquele momento. 

Pedi a conta. Gozação comigo não! (mesmo porque ainda tinha 11 km de caminhada na volta...)